segunda-feira, 31 de maio de 2010

Testemunha da Esperança

         Em atenção ao ano sacerdotal, vamos lembrar de um "amigo do céu", o santo, não que se encontra ainda em algum dos altares das igrejas, mas, dos dias de hoje: 
O Cardeal Van Thuan! Sacerdote por vocação que nos deixou um dos maiores exemplos de fé e esperança já vistos.

O Cardeal vietnamita Francisco Xavier Nguyen Van Thuan teve como lema de vida a esperança que enche de amor o momento presente. Mantido prisioneiro pelo regime comunista durante 13 anos, 9 dos quais em total isolamento, não ficou de “braços cruzados” esperando a libertação; ao contrário, com a criatividade própria do amor, fez-se amigo dos carcereiros, construiu para si um crucifixo, celebrou a eucaristia clandestinamente e escreveu três livros. Depois de uma vida luminosa, morreu vitimado pelo câncer em setembro de 2002.

 Francisco Nguyen Van Thuan nasceu no dia 17 de abril de 1928, numa família que conta numerosos mártires da fé. Sua mãe, todas as noites, contava-lhe histórias bíblicas e narrava-lhe testemunhos de mártires, especialmente de seus antepassados.

Van Thuan foi ordenado sacerdote em 11 de junho de 1953. Formado em Direito Canônico, em Roma, retorna ao Vietnã e é nomeado professor e reitor do seminário.

Em 1967, é ordenado Bispo de Nhatrang, no centro do Vietnã, diocese pela qual sempre confessou predileção. Oito anos depois, Paulo VI o nomeou Arcebispo coadjutor de Saigon. Ardoroso animador dos leigos e jovens, prepara-os para participarem dos conselhos pastorais.

Poucos meses depois, porém, foi preso pelo regime comunista: “Disseram-me que minha nomeação era fruto de um complô entre o Vaticano e os imperialistas para organizar a luta contra o regime comunista”, conta Van Thuan. Era o dia de Nossa Senhora da Assunção, 15 de agosto de 1975.

Rumo à prisão, tomou uma decisão importantíssima: “Vinham-me à mente muitos pensamentos confusos: tristeza, abandono, cansaço depois de três meses de tensões... Porém, em minha mente surgiu claramente uma palavra que dispersou toda a escuridão, a palavra que Monsenhor John Walsh, Bispo missionário na China, pronunciou quando foi libertado depois de doze anos de cativeiro: ‘Passei a metade da minha vida esperando’. É verdadeiríssimo: todos os prisioneiros, inclusive eu, esperam a cada minuto sua libertação. Porém, depois decidi: ‘Eu não esperarei. Vou viver o momento presente, enchendo-o de amor’.

De fato, foi o que fez: amou, amou, amou. As condições não eram favoráveis. Durante alguns meses esteve confinado numa cela minúscula, sem janela, úmida, que para respirar passava horas com o rosto enfiado num pequeno buraco no chão. A cama era coberta de fungos.

Os nove primeiros anos foram terríveis: “uma tortura mental, no vazio absoluto, sem trabalho, caminhando dentro da cela desde a manhã às nove e meia da noite para não ser destruído pela artrose, no limite da loucura”.

Buscava conversar com os carcereiros, que resistiam, mas logo eram seduzidos por sua gentileza e inteligência. Contava-lhes sobre países e culturas diferentes. Isso chamava sua atenção e instigava a curiosidade. Logo começavam a fazer perguntas, o diálogo se estabelecia, a amizade se enraizava. Chegou a dar aulas de inglês e francês.

No começo, a cada semana os guardas eram substituídos, mas logo as autoridades, para evitar que o exército todo fosse “contaminado”, deixou uma dupla de carcereiros fixa. Estes espantavam-se de como o prisioneiro pudesse chamar de amigos os seus carcereiros, mas ele afirmava que os amava porque esse era o ensinamento de Jesus.

Como o amor é criativo, Van Thuan encontrou também um jeito de se comunicar com seu rebanho: “Em outubro de 1975, fiz um sinal a um menino de sete anos, Quang, que regressava da missa às 5 horas, ainda escuro: ‘Diz à tua mãe que me compre blocos velhos de calendários’. Mais tarde, também na escuridão, Quang me traz os calendários, e em todas as noites de outubro e novembro de 1975 escrevi da prisão minha mensagem ao meu povo. Cada manhã o menino vinha recolher as folhas para levá-las à sua casa e fazer que seus irmãos e irmãs copiassem-na”. Assim foi escrito o livro “O Caminho da Esperança”, posteriormente publicado em oito idiomas: vietnamita, inglês, francês, italiano, alemão, espanhol, coreano e chinês.

Em 1980, na residência obrigatória de Giang-xá, no Norte do Vietnã, sempre de noite e em segredo, escreveu seu segundo livro: “O caminho da esperança à luz da Palavra de Deus e do Concílio Vaticano II”; depois o terceiro livro: “Os peregrinos do caminho da esperança”.

Sempre inspirado pela criatividade amorosa, Van Thuan escreveu uma carta aos amigos pedindo que enviassem um pouco de vinho, como remédio para doenças estomacais. Assim, a cada dia, três gotas de vinho e uma de água eram suficientes para trazer Jesus eucarístico à prisão. Os pedacinhos de pão consagrado eram conservados em papel de cigarro, guardado no bolso com reverência. De madrugada, ele e os poucos católicos detidos ali davam um jeito de adorar o Senhor escondido com eles.

Um dia, enquanto trabalhava de lenhador, Van Thuan pediu ao amigo carcereiro: “Queria cortar um pedaço de madeira em forma de cruz... Feche os olhos, farei agora e serei muito cauteloso. Você vai andando e me deixa só”. Assim, conseguiu como companheira aquela rústica cruz feita por ele mesmo.

Para completar sua obra, pediu: “Amigo, você me consegue um pedaço de fio elétrico?” Este ficou espantado, sabia que quando prisioneiros conseguem fios, suicidam-se. Mas Van Thuan explicou: “Queria fazer uma correntinha para levar minha cruz”. Saindo da prisão, com uma moldura de metal, aquele pedaço de madeira tornou-se sua cruz peitoral.

O Cardeal Van Thuan foi libertado no dia 21 de novembro de 1988. Em 1994 deixou o Vietnã e foi para Roma, onde presidiu o Pontifício Conselho Justiça e Paz.

Foi criado Cardeal em 21 de fevereiro de 2001. Escreveu mais um livro: “Testemunhas da esperança”, no qual relata sua experiência de prisioneiro. Fazia questão de dizer que não se trata de um livro para fazer denúncias, mas testemunhar o dom da esperança. Vitimado pelo câncer, faleceu no dia 17 de setembro de 2002.


Fonte: 

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Oração: Incenso que Deus recebe com enorme prazer!


Vede, meus filhos: o tesouro de um cristão não se encontra na Terra, mas no céu (Mt 6,20). Pois bem, o nosso pensamento deve estar onde está o nosso tesouro. O homem tem uma função bela, a de orar e de amar. Oramos, amamos: eis a felicidade do homem na Terra.
A oração não é outra coisa senão uma união com Deus. Quando temos o coração puro e unido a Deus, sentimos em nós um bálsamo, uma doçura que inebria, uma luz que encadeia. Nesta união íntima, Deus e a alma são como dois pedaços de cera fundidos em conjunto; não conseguimos separá-los. É algo muito belo, esta união de Deus com a sua pequena criatura. É uma felicidade que não se pode compreender. Merecemos não orar; mas Deus, na Sua bondade, permitiu-nos falar-Lhe. A nossa oração é um incenso que Ele recebe com enorme prazer.
Meus filhos, tendes um coração pequeno, mas a oração alarga-o e torna-o capaz de amar Deus. A oração é um antegosto do céu, um fluxo do paraíso. Ela nunca nos deixa sem doçura. É um mel que entra na alma e tudo adoça. Tal como a neve perante o sol, o sofrimento funde-se perante uma oração bem feita.

Comentário ao Evagelho por São João-Maria Vianney (1786-1859), presbítero.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Seja Radical!


No trono do nosso coração está Jesus, por isso não podemos dar trela ao inimigo. Assim, não tome o primeiro gole, não jogue a primeira partida de baralho, não fume o primeiro baseado, não ceda ao primeiro programa, não dê brecha ao seu inimigo, ao príncipe deste mundo. Seja RADICAL! “Não deis nenhuma chance ao diabo” (Ef 4,27).
Até mesmo os espíritos malignos reconhecem o senhorio de Jesus e são obrigados a admitir Sua divindade. É preciso também que todos os homens saibam, proclamem e confessem que Ele é o Santo de Deus, o Altíssimo, o Filho amado que se fez homem para a nossa salvação. Os céus, a terra e até o próprio inferno haverão de reconhecer e proclamar Jesus homem como Deus, Rei e Senhor.
Especialmente nós, combatentes, precisamos saber de que lado estamos, a favor de quem e contra quem estamos combatendo. Não podemos viver a esmo. Satanás sabe que pouco tempo lhe resta, por isso, investe pesado para arrancar das mãos de Jesus aqueles que Lhe pertencem.
(Trecho do livro “Céus Novos uma Terra Nova” de monsenhor Jonas Abib)

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Vamos adorar a Deus?


O Senhor está conosco todos os dias, mas quanto tempo nós estamos com Ele?
Deus sente saudade de nós e aguarda ansiosamente o nosso retorno para vivermos numa profunda comunhão com Ele em todos os momentos da nossa vida. Hoje é o dia de voltarmos à presença do Altíssimo, onde quer que estejamos.
O próprio Senhor nos chama: “Vinde a mim vós todos que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mt 11,28).
A maior graça para a nossa vida é viver com Jesus. Quando estamos com Ele tudo é bom e nada nos parece difícil, por mais desencontrado que esteja tudo à nossa volta. Estar com Jesus é um paraíso. Se Ele está conosco nenhum inimigo poderá nos prejudicar ou abater.
Vamos adorar a Deus hoje? Na sua paróquia ou na igreja mais perto o Senhor está esperando por você. Mas se você não tem como fazer isso, não se esqueça de que Jesus está em seu coração: adore-O em espírito e em verdade.

Jesus, ensina-nos a adorar-Te.

Jesus, eu confio em Vós!


Luzia Santiago - Canção Nova

terça-feira, 11 de maio de 2010

Nosso Deus é plural!


O grande foco dos ensinamentos da Nova Era é a felicidade individual. Cada um tem o direito de ser feliz. Aliás, quando se escuta os discursos de pessoas ligadas a esse pensamento, tem-se nítida impressão de que o homem moderno só tem direitos, e não está obrigado a nenhum dever. Tudo posso, nada me obriga! Do individualismo chegamos ao egocentrismo infantilizado e superficial.
É a religião do eu! Você é a sua felicidade. Você é o seu parâmetro! Pena que muitos queiram conjugar essa religião do eu com o cristianismo. São aqueles que se dizem cristãos do-meu-jeito. O processo começa com uma oração singular, em que a pessoa só pensa em si e se coloca como centro de sua oração. Aliás, se não tem nenhuma necessidade séria a pessoa nem vai a Igreja. Igreja é lugar de desesperados. Basta ver certas devoções pessoais em determinados dias do ano. Os santos das causas desesperadas são os mais procurados. Fazem-se longas filas. Cada um com seu pedidozinho para ser imediatamente atendido pelo santo, ou pela santa das causas impossíveis.
(...)
Nosso Deus é plural e comunitário. Nosso jeito de nos relacionar com Deus precisa ser plural e comunitário. Precisa ser familiar. Foi isso que Jesus explicitou quando nos ensinou a mais perfeita de todas as orações, plural até no nome: pai-nosso.
Jesus não ensinou a rezar o pai-meu. A família precisa ser uma escola na qual se ensinam a força e o poder da oração comunitária, plural e intercessora. Essa oração gera compromissos com a transformação do mundo, a começar do meu mundo. É na família que aprendemos o quanto precisamos um do outro.



 De Famílias Restauradas (Pe. Léo - Canção Nova)